Evidências petrográficas e granulométricas da interação entre arenitos da formação Goio-Erê e basaltos do grupo serra geral no centro-oeste do Paraná
Palavras-chave:
Bacia Bauru, Grupo Serra Geral, Formação Goio Erê, Petrografia, Ferruginização, Contato litológicoResumo
A Bacia Sedimentar Bauru constitui uma importante unidade cretácea desenvolvida sobre os derrames basálticos do Grupo Serra Geral, na porção centro-sul da Bacia do Paraná. Sua origem está relacionada a eventos tectônicos e magmáticos associados à ruptura do Gondwana, com principal fase deposicional atribuída ao Cretáceo Superior. Este trabalho busca caracterizar, com base em dados de campo, petrografia óptica e análise granulométrica, as relações entre os arenitos da Formação Goio-Erê e os basaltos do Grupo Serra Geral no setor sul da Bacia Bauru, identificando evidências de contato erosivo, alteração mineral, silicificação, ferruginização e cimentação sílico-ferruginosa. A pesquisa foi desenvolvida a partir de trabalhos de campo, descrição macroscópica dos afloramentos, coleta de amostras e análises petrográficas e granulométricas. As análises petrográficas foram realizadas em lâminas delgadas, com microscópio óptico e as granulométricas foram aplicadas a três amostras, duas de arenito e uma de saprólito basáltico, com separação das frações areia, silte e argila. Os dados indicam que o contato entre os arenitos da Formação Goio-Erê e os basaltos do Grupo Serra Geral é predominantemente discordante-erosivo, marcado por alteração mineral, silicificação e ferruginização. Os basaltos são compostos principalmente por plagioclásio cálcico, augita e magnetita, mas apresentam transformações associadas à cloritização, sericitização, saussuritização, uralitização e hematitização, indicando atuação de processos intempéricos e possível circulação hidrotermal. Os arenitos apresentam composição dominantemente quartzosa, grãos ferruginizados, feldspatos alterados e minerais acessórios de possível origem vulcânica. O saprólito basáltico, rico em silte e argila, reflete alteração avançada dos basaltos. Assim, a interação entre as litologias ocorreu principalmente por circulação de soluções silicosas e ferruginosas, responsáveis pela silicificação, ferruginização e cimentação sílico-ferruginosa observadas na área.