Horizontalidade da consciência e a crise civilizatória contemporânea

uma análise interdisciplinar no paradigma da complexidade

Autores

Palavras-chave:

Horizontalidade da consciência, Lógica da separação, Crise civilizatória, Desumanização, Crise planetária

Resumo

A contemporaneidade é marcada por crises interdependentes que atravessam dimensões sociais, econômicas, ambientais e relacionais da experiência humana. Este estudo investiga em que medida tais fenômenos podem ser compreendidos como expressão de um padrão estruturante de organização da consciência, denominado horizontalidade da consciência. A pesquisa, de natureza teórica e abordagem qualitativa, fundamenta-se no paradigma da complexidade e estabelece diálogo interdisciplinar entre filosofia, psicologia, biologia e teoria social. Os resultados indicam que esse padrão se estrutura a partir da lógica da separação, da centralidade do eu e da hegemonia de respostas instintivas de autopreservação, restringindo a capacidade reflexiva e a abertura à complexidade. Como desdobramento, observa-se a crise da alteridade, na qual o outro deixa de operar como instância formativa e passa a ser percebido como ameaça ou recurso, favorecendo processos de dessensibilização, desumanização e empobrecimento do juízo ético. Em sua expressão mais crítica, esse processo culmina na naturalização de práticas e comportamentos que fragilizam a experiência humana em sua dimensão relacional e moral. No plano sistêmico, esse padrão se materializa em formas de organização econômica e social orientadas pela competição, pela acumulação e pela exploração, intensificando desigualdades e contribuindo para o agravamento da crise planetária. Conclui-se que a crise contemporânea não se reduz a problemas isolados, mas expressa a consolidação histórica de um modo de organização da consciência, cuja compreensão demanda abordagens integradas capazes de articular dimensões subjetivas e estruturais. Nesse contexto, a reativação da dimensão reflexiva, ética e relacional da consciência apresenta-se como condição para a construção de formas de existência mais compatíveis com a complexidade da vida.

Biografia do Autor

Raquel Givandi de Lima, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) – Campus Campos do Jordão

Possui graduação em Tecnologia em Design de Moda pela Universidade Bandeirante de São Paulo (2007) e pós-graduação lato sensu em Psicologia Positiva e Coaching (2019). Atualmente é estudante de Licenciatura em Pedagogia pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) – Campus Campos do Jordão, com interesse em pesquisas nas áreas de educação, consciência e complexidade.

Renata de Almeida Vieira, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) – Campus Campos do Jordão

Licenciada em Pedagogia pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Especialista em Teoria Histórico-Cultural pelo Departamento de Psicologia da Universidade Estadual de Maringá. Mestre em Educação pela mesma instituição. Atualmente é Doutora em Educação pela Universidade Estadual de Maringá, com Pós-Doutorado pela Universidade de Santiago de Compostela (USC-Espanha). É, ainda, Professora do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), câmpus de Campos do Jordão. Tem se dedicado ao ensino em cursos de Graduação e à pesquisas no campo da formação de professores para a educação básica e ensino superior. Ademais, colabora com o Projeto Educação Ambiental e Crise Climática: uma abordagem emergente para o ensino, coordenado pelo Núcleo de Educação Ambiental (NEA) - UNICENTRO - CNPq.

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Publicado

2026-06-15