Horizontalidade da consciência e a crise civilizatória contemporânea
uma análise interdisciplinar no paradigma da complexidade
Palavras-chave:
Horizontalidade da consciência, Lógica da separação, Crise civilizatória, Desumanização, Crise planetáriaResumo
A contemporaneidade é marcada por crises interdependentes que atravessam dimensões sociais, econômicas, ambientais e relacionais da experiência humana. Este estudo investiga em que medida tais fenômenos podem ser compreendidos como expressão de um padrão estruturante de organização da consciência, denominado horizontalidade da consciência. A pesquisa, de natureza teórica e abordagem qualitativa, fundamenta-se no paradigma da complexidade e estabelece diálogo interdisciplinar entre filosofia, psicologia, biologia e teoria social. Os resultados indicam que esse padrão se estrutura a partir da lógica da separação, da centralidade do eu e da hegemonia de respostas instintivas de autopreservação, restringindo a capacidade reflexiva e a abertura à complexidade. Como desdobramento, observa-se a crise da alteridade, na qual o outro deixa de operar como instância formativa e passa a ser percebido como ameaça ou recurso, favorecendo processos de dessensibilização, desumanização e empobrecimento do juízo ético. Em sua expressão mais crítica, esse processo culmina na naturalização de práticas e comportamentos que fragilizam a experiência humana em sua dimensão relacional e moral. No plano sistêmico, esse padrão se materializa em formas de organização econômica e social orientadas pela competição, pela acumulação e pela exploração, intensificando desigualdades e contribuindo para o agravamento da crise planetária. Conclui-se que a crise contemporânea não se reduz a problemas isolados, mas expressa a consolidação histórica de um modo de organização da consciência, cuja compreensão demanda abordagens integradas capazes de articular dimensões subjetivas e estruturais. Nesse contexto, a reativação da dimensão reflexiva, ética e relacional da consciência apresenta-se como condição para a construção de formas de existência mais compatíveis com a complexidade da vida.