Morfometria de bacias hidrográficas e impactos pluviométricos no meio urbano

Estudo de caso na Zona Norte de São Paulo

Autores

Palavras-chave:

Bacia hidrográfica, Morfometria, Fator de forma, Índice de compacidade, Drenagem urbana, Urbanização, Alagamentos, Enchentes, Inundações, Precipitação, Zona Norte de São Paulo

Resumo

A urbanização altera significativamente o comportamento hidrológico das bacias hidrográficas, especialmente em grandes centros urbanos, em razão da impermeabilização do solo e da canalização de cursos d’água, que intensificam o escoamento superficial e aumentam a suscetibilidade à ocorrência de alagamentos. Nesse contexto, a análise morfométrica constitui instrumento clássico para avaliação da tendência geométrica à ocorrência de cheias. O presente trabalho tem como objetivo analisar a morfometria de uma bacia hidrográfica localizada na Subprefeitura de Santana–Tucuruvi, na Zona Norte do município de São Paulo, por meio do cálculo do fator de forma (Ff) e do índice de compacidade (Kc), e investigar a relação entre esses parâmetros e os impactos pluviométricos observados em meio urbano. A delimitação da bacia foi realizada com base nas curvas de nível, com auxílio do software AutoCAD, considerando o exutório e o limite topográfico da área de drenagem. Foram obtidas as medidas de área, perímetro e comprimento do curso principal para o cálculo dos parâmetros conforme a literatura clássica, além do levantamento de registros históricos de alagamentos e dados pluviométricos da região. Os resultados indicaram Ff igual a 0,2537 e Kc igual a 1,8145, valores que sugerem baixa tendência geométrica à ocorrência de cheias rápidas. Entretanto, registraram-se 14 ocorrências, sendo nove alagamentos e cinco inundações, associadas à precipitação acumulada de 70,4 mm em 24 de janeiro de 2025, evidenciando discrepância entre a tendência morfométrica e a resposta hidrológica observada. Conclui-se, portanto, que a utilização isolada desses parâmetros não é suficiente para explicar os eventos registrados, sendo necessária abordagem integrada entre morfometria, intensidade pluviométrica e urbanização.

Biografia do Autor

Laura Lopes Lombardi, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP)

Graduanda em Engenharia Civil pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP). Desenvolve pesquisa na área de Recursos Hídricos, com ênfase em hidrologia aplicada, morfometria de bacias hidrográficas e drenagem urbana.

Armando Traini Ferreira, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP)

Doutorado em Engenharia Civil na UNICAMP , Mestrado em Engenharia POLI-USP e graduação em Engenharia Civil EESC - USP. Atualmente é professor Titular do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) nos cursos de Arquitetura e Urbanismo e de Engenharia Civil nas disciplinas de Hidráulica (Condutos forçados e Canais), Sistemas Prediais Hidrossanitários (água fria, água quente, esgoto e águas pluviais) e Hidrologia. Artigos publicados em Congressos Nacionais e Internacionais e Revistas Científicas nos temas: pavimento permeável, aproveitamento água pluvial, comissionamento sistemas prediais, revisão sistemática de literatura em sistemas prediais.

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Publicado

2026-06-09