Política de Formação Continuada docente no IFSP

opacidade dos resultados e perspectivas para uma avaliação de impacto

Autores

Palavras-chave:

Formação Continuada de Professores, Avaliação de Políticas Educacionais, Desenvolvimento Profissional Docente, Educação Profissional e Tecnológica, IFSP

Resumo

Os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia apresentam configuração institucional singular, articulando educação básica, profissional e superior em uma mesma estrutura, o que impõe exigências formativas específicas ao corpo docente. No Instituto Federal de São Paulo (IFSP), a formação continuada encontra amparo normativo na Resolução n.º 138/2015 e integra os objetivos estratégicos do Plano de Desenvolvimento Institucional 2024–2028; contudo, o reconhecimento formal da política não assegura, por si só, mecanismos de análise de seus efeitos sobre a prática pedagógica. Este trabalho tem por objetivo analisar criticamente a configuração da política de formação continuada do IFSP e propor um modelo institucional de avaliação de impacto. A pesquisa adota abordagem qualitativa de natureza analítico-interpretativa, articulando análise documental crítica e revisão narrativa de literatura, com suporte no referencial do ciclo de políticas (Mainardes, 2006). O corpus documental é composto por legislação nacional, normativas institucionais e materiais operacionais da instituição. Os resultados evidenciam que a política opera sob uma racionalidade predominantemente burocrático-administrativa, na qual a oferta de cursos, o registro de participação e a emissão de certificados substituem a análise dos efeitos formativos, configuração aqui denominada “lógica da certificação”. Identificam-se, ainda: ausência de revisão normativa após uma década; descontinuidade do Caderno de Formação da DAPE; e lacunas quanto ao perfil dos formadores e às condições institucionais de aplicação das aprendizagens. Em resposta, propõe-se um modelo de avaliação de impacto estruturado em cinco dimensões interdependentes, oferta e participação, relevância e aprendizagem profissional, condições institucionais, mudanças na prática pedagógica e efeitos educacionais, articulado a partir dos modelos de Guskey (2000) e Kirkpatrick e Kirkpatrick (2006). Conclui-se que a superação da lógica certificatória exige a reorientação da política em direção ao desenvolvimento profissional docente como finalidade central, com a institucionalização de uma cultura avaliativa comprometida com a qualidade da experiência educativa.

Biografia do Autor

Camila de Carvalho Ferreira, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo - IFSP

Professora EBTT no Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), cursando mestrado em Administração Pública pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Possui especialização em Educação Profissional e Tecnológica Inclusiva - Instituto Federal do Triângulo Mineiro (2021), graduação em Física (Licenciatura) - UNESP-ISA/Departamento de Física e Química (2007) e curso de Mecânico de Manutenção de Aeronaves - Centro Paula Souza (2011). Atualmente Diretora Administrativa do Câmpus São José do Rio Preto do Instituto Federal de São Paulo.

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Publicado

2026-06-23